CONFERÊNCIAS FAMILIARES EM CUIDADOS PALIATIVOS: NORMAS DE ORIENTAÇÃO MULTIDISCIPLINARES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

CONFERÊNCIAS FAMILIARES EM CUIDADOS PALIATIVOS: NORMAS DE ORIENTAÇÃO MULTIDISCIPLINARES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

 

Hudson P, Quinn K, O?Hanlon B, Aranda S. Family meetings in palliative care: multidisciplinary clinical practice guidelines. BMC Palliative Care 2008; 7:12.

 

Introdução
Os cuidados paliativos são prestados de forma holística e multidisciplinar ao doente e à sua família. As conferências familiares envolvendo o doente, a família e profissionais de saúde, são comummente recomendadas visando a partilha de informação e anseios, a clarificação dos objectivos dos cuidados, discussão do diagnóstico, tratamento e prognóstico e o desenvolvimento de um plano de cuidados para o doente e cuidadores.
Persistem, contudo, dúvidas quanto às vantagens destas conferências e quanto à melhor forma de as estruturar, conteúdos a abordar, participantes e elemento moderador. Assim, o objectivo deste estudo foi o desenvolvimento de normas de orientação clínicas para a realização de conferências familiares no contexto de cuidados paliativos.

 

Metodologia
Foram utilizados três métodos para a elaboração das normas de orientação clínica: (1) pesquisa sistemática de artigos em bases de dados informáticas, incluindo estudos em contexto de cuidados paliativos, intensivos e geriátricos; (2) extrapolação de modelos utilizados noutros contextos; (3) opinião de grupos multidisciplinares de peritos.

 

Resultados
A evidência científica sobre a orientação e utilidade das conferências familiares em cuidados paliativos é escassa e extrapolada de outros contextos. Com base na pesquisa realizada, em modelos conceptuais (terapia em sessão única, terapia comunicacional, modelos de coping e terapia familiar) e opinião de peritos foram estabelecidos como princípios orientadores das conferências familiares:
 As conferências familiares podem ser uma forma útil para clarificar os objectivos e opções dos cuidados e partilha de informação com o doente e sua família.
 Uma vez que o apoio dos cuidadores é um componente central dos cuidados paliativos, os prestadores de cuidados têm a responsabilidade de oferecer conferências familiares consoante a necessidade.
 Os prestadores de cuidados deverão encarar as conferências familiares como mutuamente benéficas, possibilitando-lhes uma oportunidade para explicação do que o serviço poderá ou não oferecer, estratificação de prioridades e referenciação para outros profissionais.
 As conferências familiares não deverão ser realizadas exclusivamente em situações ?de crise?, estimulando-se uma abordagem proactiva e preventiva.
 Idealmente, as conferências familiares deverão ser oferecidas por rotina na admissão e conduzidas posteriormente numa altura pertinente.
 O moderador da conferência familiar deverá possuir aptidões apropriadas de trabalho em equipa, comunicação terapêutica e cuidados paliativos. Cabe à equipa multidisciplinar a escolha do moderador.
 Se há conhecimento de conflitos familiares significativos, poderá ser apropriado o envolvimento de um terapeuta familiar ou psicólogo.
 O planeamento da conferência e o posterior follow-up são essenciais.
 Deverão ser disponibilizados, ao doente e familiares, recursos apropriados para a complementação da informação verbal (brochuras sobre o serviço, manuais de apoio para o cuidador, informação sobre fármacos, etc).

 

Discussão / Conclusão
As conferências familiares são um método potencial de interacção entre o doente, familiares e profissionais de saúde, que poderão optimizar a qualidade dos cuidados prestados. Considerando a escassez de informação científica, as normas de orientação clínica elaboradas basearam-se maioritariamente em opinião de peritos. Assim sendo, será necessária uma avaliação posterior da sua aplicabilidade e eficácia em cuidados paliativos.

 

Dra. Paula Gomes
Centro de Saúde de Matosinhos

 


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