Does psychological characteristic influence physicians communication styles? Impact of physicians locus of control on interviews with a cancer patient and relative

Título: Does psychological characteristic influence physicians communication styles? Impact of physicians locus of control on interviews with a cancer patient and relative.

 

Autores: Yves Libert; Isabelle Merckaert; Christine Reynaert; Nicole Delvaux; Serge Marchal; Anne-Marie Etienne; Jacques Boniver; Jean Klastersky; Pierre Scalliet; Jean-Louis Slachmuylder; Darius Razavi.

 

Revista: Support Care Cancer (2006) 14: 230-242

 

Resumo:
A comunicação é cada vez mais reconhecida como uma das competências fundamentais aos profissionais de saúde, que trabalham em cuidados paliativos, nomeadamente aos médicos.
Pesquisas sobre as competências dos médicos mostram que as suas características pessoais, entre elas, o tipo de locus de controlo, podem influenciar o estilo de comunicação e de intervenção com os doentes oncológicos.
O artigo em questão apresenta um estudo que tem como objectivo testar a hipótese de que na intervenção com doentes oncológicos e seus familiares, os médicos com um locus de controlo (LOC) externo (que acreditam que os acontecimentos de vida são controlados por factores externos como a sorte, o destino, etc.) têm um estilo de comunicação diferente dos médicos com LOC interno (que acreditam que os acontecimentos de vida resultam das nossas próprias características e acções).
A amostra foi seleccionada entre 157 médicos com várias especialidades que trabalham com doentes oncológicos, e que mostraram interesse em participar num programa de treino de competências em comunicação médico-doente-família. Utilizaram o ?Cancer Research Campaign Workshop Evaluation Manual? para avaliar as capacidades comunicacionais dos médicos, e a escala Rotter I-E para avaliar o LOC.
Os resultados do estudo mostram que na relação com os doentes/família os 2 tipos de LOC apresentam características distintas.
Os médicos com um LOC externo:
- mostram mais interesse pelos doentes e família
- dão informações mais correctas e consequentemente falam mais com os doentes e familiares
- preocupam-se com a avaliação da situação, (como verificar ou sumariar)
- usam atitudes relacionadas com o apoio (como ser empático, tranquilizar, ensinar, confrontar com a realidade ou alertar para a realidade).
Os médicos com um LOC interno:
- sentem que conseguem controlar a relação com os seus doentes oncológicos
- são mais relutantes ou sentem menos necessidade de fazer treino de
comunicação.
Também na forma de adaptação ao stress os 2 grupos mostram diferenças:
- Os médicos com LOC externo referem menos realização pessoal e um maior nível de despersonalização do que os de LOC interno
- Os médicos com LOC externo tendem a manifestar mais stress do que os de LOC interno.

 

Em conclusão, os resultados deste estudo mostram que os médicos com um LOC externo têm uma atitude mais centrada no paciente do que os médicos com LOC interno. Uma verdadeira comunicação centrada no doente implica um alto nível de competências comunicacionais. O estilo de comunicação do médico deve ser determinada mais pelas características do paciente do que pelas características do médico. Assim, os médicos devem tomar consciência que as suas próprias características psicológicas podem interferir na forma como comunicam. Este conhecimento deve ajudar a diferenciar as necessidades dos doentes em relação á informação que cada um necessita em particular e não aquilo que o médico acha que ele precisa.   

 

 (resumo em PDF)

Cristina Pinto, Psicóloga, Centro Saúde Odivelas


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