Mutual Suffering: A nurses story of caring for the living as they are dying

RESUMO DO ARTIGO
Mutual Suffering: A nurse s story of caring for the living as they are dying

 

Autores : Graham, IW ; Andrewes, T. ; Clark, L.
Referência: International Journal of Nursing Practice; (1); p. 277-285.
Ano / País: 2005 / Inglaterra
Participantes: Enfermeiros
Desenho do Estudo: Fenomenológico

 

O estudo apresentado torna-se particularmente relevante pois coloca em evidência a complexidade do processo de interacção enfermeiro-doente e o mútuo sofrimento que determina nos actores envolvidos, em qualquer contexto, mas em especial num hospital de agudos; por outro lado realço o uso da Fenomenologia, como a metodologia mais apropriada para o estudo das vivências.

 

Objectivos do estudo:
 Descobrir o significado da experiência vivenciada na relação de cuidado do enfermeiro com o doente em fim de vida;
 Desenvolver programas de prática reflexiva;
 Reconhecer o paradoxo na prática de enfermagem e estratégias adoptadas para melhorar os cuidados.

 

Resultados: A experiência vivida no processo de interacção e cuidado ao doente em fim de vida é complexo e envolve momentos de frustração traumáticos, com sentimento de fracasso e em que se escondem intencionalmente as emoções, determinando danos morais, um efeito negativo no seu amor-próprio e portanto resultando num sofrimento mútuo. Os principais sentimentos vivenciados, definidos como conceitos centrais, foram:
1) Sensação de fracasso, culpa, ansiedade e incerteza: (sentem-se paralisados e incapazes de alcançar metas com os doentes);
2) Sensação traumática de frustração: sentindo que davam respostas erradas ou obrigação de esconder o que deviam dizer; sem possibilidade de uns ou outros poderem expressar as emoções; identificada a conspiração do silêncio ?um muro de silêncio? que os impedia de ajudar verdadeiramente o doente ?como se o doente estivesse dentro de uma bolha?; processo descrito como de ?um negócio inacabado?;
3) Compromisso confuso e um processo paradoxal: Todos descrevem o processo confuso, trabalhando dentro do caos e da imprevisibilidade; cuidar no fim de vida causa múltiplos sentimentos como raiva, medo, e vergonha em vez de esperança, inspiração e sucesso. Alguns referiram sentir-se ?totalmente miserável?, ?uma agressão emocional?.
4) Escondendo o assunto e a não exposição de Sentimentos: a incapacidade de comunicar verdadeiramente com os doentes, de expressarem emoções e de não reflectirem sobre os atributos do sofrimento vivido (discutir casos), impede-os de garantir qualidade nos cuidados que prestam, referem ?às vezes era preciso fazer sentir ao doente que não estava a morrer?, para poderem lidar com ele; a ansiedade criada levou a uma interacção ineficaz.
5) A prática reflexiva e em grupo permitiu identificar o tempo certo para discutirem os casos; a necessidade de expressarem dificuldades individuais em cada situação, de encontrarem estratégias para resolver situações semelhantes, permitiu também assumir que a enfermeira é humana e nem sempre tem a palavra certa e soluções para tudo; desafiando a equipa médica a idêntica prática e atitudes.
Os autores reafirmam a complexidade de sentimentos vivenciados pelos enfermeiros que cuidam doentes em fim de vida e sugerem que este tema deveria continuar a ser alvo de estudo e de atenção na Prática, na Educação/Formação e na Liderança de enfermagem, procurando desse modo aumentar a reflexão crítica dos profissionais sobre o tema, aumentar a formação neste domínio e alerta para a importância das chefias na gestão do sofrimento dos profissionais neste processo.

 

 (resumo em PDF)

Paula Sapeta

Enfª Prof. Coordenadora na Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias


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