Symptoms that Cluster around Cancer Pain-a Research Agenda

Tema:?Symptoms that Cluster around Cancer Pain: a Research Agenda?
Editor: Daniel B. Carr, PAIN CLINICAL UPDATES, Volume XIV, 5, December 2006
IASP, International Association for the Study of Pain (www.iasp-pain.org)

 

INTRODUÇÃO
Hoje em dia, o termo ?cluster? aplica-se em várias áreas científicas e é muito divulgado no campo da informática, com os significados de aglomerado, agrupamento, agregado. Relacionado com os sintomas, quer significar que três ou mais sintomas se manifestam juntos e se relacionam uns com os outros.

 

RESUMO
Os doentes oncológicos, em qualquer fase da doença, e mesmo depois de tratamentos específicos, apresentam um conjunto de sintomas que perturbam a sua vida. Com a compreensão dos mecanismos da dor, o seu controlo pode ser programado mas, devido a outros sintomas que frequentemente se associam à dor (fadiga, depressão, perturbações do sono) e que tendem a agravar-se uns aos outros, mantém-se uma dificuldade para os profissionais de saúde e para os cuidadores - o controlo eficaz destes sintomas. Se persistem, não só causam perturbações e dificultam o bem-estar dos doentes, como alteram a funcionalidade ou modificam a sobrevivência pela não aderência a tratamentos.
Neste sentido, devem ser desenvolvidos esforços para a compreensão dos sintomas e o desenvolvimento de estratégias para o seu tratamento.
Em vários estudos referidos, a prevalência dos ?clusters de sintomas? é muito variável, devido ao uso de diferentes instrumentos de avaliação: para a depressão de 1 em 10 ou 1 em 5 a 6 doentes; para a fadiga são referidos 4 a 71%. Na comunidade científica, é aceite a necessidade da investigação directa dos sintomas, aplicando os métodos científicos mais recentes (imagiologia cerebral, bio-informática para tratamento de bases de dados de sintomas subjectivos, estudo dos genótipos) e os avanços da neuro-biologia e da biologia molecular.
O controlo eficaz dos sintomas envolve o conhecimento dos mecanismos pelos quais aparecem os sintomas físicos e psicológicos ao longo do curso da doença oncológica e, depois dos tratamentos específicos, a avaliação dos que têm maior impacto na funcionalidade e na qualidade de vida dos doentes.
Ainda faltam estudos e se levantam muitas questões: entre outras, como variam os ?clusters de sintomas? em doentes com o mesmo diagnóstico e recebendo o mesmo tratamento? Os sintomas físicos e psicológicos interferem na vida dos doentes da mesma maneira?
Muito se tem aprendido com os doentes com cancro avançado em cuidados paliativos, devido aos tratamentos que prolongam a sobrevivência dos doentes oncológicos e desejam manter uma vida social e laboral activa. Não só os problemas comportamentais ocorrem em simultâneo com a fadiga, em alguns tipos de tumores, como foi investigado um nível anormal de alguns marcadores tumorais e inflamatórios (factor de crescimento, interleucinas, neopterin).
A ciência do controlo dos sintomas deixou de centrar-se apenas na dor, tendo reconhecido a necessidade da exploração de outros sintomas que a acompanham no tempo e na gravidade, à semelhança do que ocorre em outras doenças crónicas, como a artrite reumatóide, a insuficiência cardíaca ou mesmo o envelhecimento.
Uma primeira lição extraída dos estudos da dor é a metodologia para medir sintomas subjectivos (baseada na autoavaliação). É desejável o desenvolvimento de modelos estatísticos que integrem aqueles dados com os dados biológicos, uma vez que as dificuldades são comparar os múltiplos instrumentos que usam os dados referidos pelos doentes e, na prática, a alta variabilidade da gravidade dos sintomas relatados em presença de sinais objectivos ou bio-marcadores.
Uma outra importante lição a extrair da investigação na área da dor é a de que distintos mecanismos biológicos podem contribuir para o aparecimento daqueles sintomas ou ?clusters?; mesmo um sintoma único, como a dor ou a fadiga, é multifactorial. Com a excepção da depressão, os restantes sintomas (alterações cognitivas, fadiga, perturbações do sono) raramente foram estudados no seu mecanismo e são mais referidos em estudos descritivos.
As alterações das citoquinas que modulam a inflamação, pelos tumores ou pela terapêutica, são uma área de investigação promissora para se conhecerem os possíveis mecanismos que produzem os sintomas. Igualmente, podem ter importância outros agentes (citoquinas não inflamatórias, proteínas como a eritropoietina, inibidores da ciclo-oxigenase, opióides endógenos, factor de crescimento de nervo, estatinas?) Também é sugerido que a base dos mecanismos dos sintomas deva ser complementada com investigação animal e in vitro.
Só conhecendo os mecanismos dos sintomas e a relação dos múltiplos factores entre si permitirá a possibilidade do seu correcto tratamento ou mesmo do estudo das vias para a sua prevenção

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CONCLUSÕES:
O alívio das complicações causadas na vida do doente oncológico pelos sintomas, devidos à doença ou aos tratamentos, passa pela abordagem multifactorial dos mecanismos dos sintomas. Para o conhecimento desses mecanismos é desejável a conjugação da investigação clínica, da investigação básica, da epidemiologia e a aplicação dos modelos disponíveis noutras disciplinas, criando-se assim, um exemplo de interdisciplinaridade que conduzirá ao verdadeiro caminho para a melhoria da sobrevivência e da qualidade de vida daqueles doentes.

 

COMENTÁRIOS
Os vastos estudos e a compreensão de um único sintoma, a dor oncológica, geraram um modelo de investigação que pode conduzir ao conhecimento de múltiplos sintomas.
O autor deste trabalho, baseado numa extensa lista bibliográfica, deixa a mensagem para o caminho certo, o tratamento dos sintomas com base no seu mecanismo, à semelhança do que já acontece com alguns tipos de dor.
Contudo, a realidade presente é a de que é difícil organizar e conceptualizar essa investigação porque os sintomas são complexos do ponto de vista biológico e comportamental, sendo necessário congregar os conhecimentos e a experiência de investigadores de várias áreas em múltiplos ensaios clínicos.

 

 (resumo em PDF)

Maria Teresa Flor de Lima

Aluna do IV Mestrado de Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina de Lisboa

(Anestesiologista, Coordenadora da Unidade de Dor,

Hospital do Divino Espírito Santo,

Av. D. Manuel I, 9500-370 Ponta Delgada

Telefone 296 203489

e-mail flordelima.mariateresa@gmail.com)


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