Grupo de Psicologia e Apoio ao Luto

Resumo da conferência TEDxStandford

 

Grupo da Psicologia da APCP (Cristina Rodrigues)

 

O autor desenvolveu o tema desta conferência depois de ter vivido a situação de doença oncológica da esposa e de se terem visto confrontados, enquanto casal, com uma situação em que lhes era pedido, de forma quase constante, que tomassem decisões. Nesta situação, Baba Shiv pôs em questão que fosse apenas positivo para o doente e sua família a vivência da possibilidade de escolha e consequente responsabilidade da tomada de decisão.

 

Com base nesta ideia realizou um estudo em que, dois grupos de pessoas eram informados que iriam realizar uma série de puzzles e que, quanto mais puzzles resolviam, maior a probabilidade de ganharem algum prémio. De seguida eram apresentados dois chás diferentes, um calmante - que ajudaria à posterior realização dos puzzles por trazer alguma tranquilidade à pessoa - e um estimulante - que também poderia ajudar à realização dos puzzles, por aumentar o estado de alerta. As pessoas do grupo A tinham a possibilidade de escolher o chá que queriam beber e as pessoas do grupo B não, mas sabiam qual o chá que lhes era dado. O nível de dificuldade dos puzzles era adaptado às capacidades dos participantes para que os puzzles fossem difíceis, e era suposto que fossem completados 15 puzzles em 30 minutos.

 

Os resultados demonstram que as pessoas do grupo A resolvem menos puzzles e são menos empenhadas na resolução dos puzzles: dedicam menos tempo a cada tentativa e desistem antes dos 30 minutos acabarem. Ou seja, as pessoas que puderam tomar a decisão acerca do chá apresentaram, de forma consistente, piores resultados do que as pessoas que não tomaram a decisão.

 

O autor denomina este efeito de INCA - immediate negative concrete agency - porque os participantes tinham acesso imediato às consequências da sua decisão: não conseguiam resolver os puzzles. Confrontados com isto, os participantes focam-se na decisão alternativa, na que não escolheram, e associam-lhe as consequências positivas que não alcançaram com a sua própria decisão. Este pensamento aumenta o nível de dúvida e diminui a confiança, piorando por isso os resultados obtidos.

 

Este efeito, transposto para o campo da saúde, pode representar um paciente que, depois de ter assumido sozinho uma decisão, mesmo que acompanhado por uma equipa clínica, ao ser confrontado com efeitos secundários negativos dessa mesma decisão, se torna um paciente menos envolvido no plano de cuidados, na adesão aos tratamentos e menos dedicado aos auto-cuidados, importantes para a recuperação.

 

Assim, e sendo o INCA um efeito real e identificado, existirão situações em que não estarmos em controlo total das decisões que nos afetam diretamente pode ser positivo para o que pretendemos poder alcançar.

 

O INCA estabelece-se quase em oposição ao movimento que se encontra na saúde relativamente à responsabilização e devolução de controlo do paciente e demonstra a necessidade das equipas clínicas serem cuidadosas quanto às decisões que pedem ao doente e família para assumir sozinhos, pelos efeitos negativos que o acompanhamento pode vir a sofrer. É importante que os psicólogos a trabalhar em Cuidados Paliativos tenham presente este fenómeno e o integrem no apoio que prestam aos doentes e famílias, alertando os outros profissionais não apenas para a sensação de solidão que a tomada de decisões difíceis causa mas também para a ambiguidade de sentimentos que a posição de controlo total acarreta.

 

Link: http://www.ted.com/talks/baba_shiv_sometimes_it_s_good_to_give_up_the_driver_s_seat.html??utm_medium=social&source=email&utm_source=email&utm_campaign=ios-share


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