Posição pública da APCP ao Estudo da Lancet Global Health sobre carga global de sofrimento grave relacionado com saúde

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) congratulando-se pela coautoria no Estudo, conduzido pelo King's College London, de duas Investigadoras do nosso país, a Dr.ª Maja de Brito e a Professora Doutora Bárbara Gomes, e sobre as conclusões que apontam para uma necessidade imediata da criação de uma ação global para a integração dos cuidados paliativos nos sistemas de saúde como um imperativo ético e económico.

O estudo "The escalating global burden of serious health-related suffering: projections to 2060 by world regions, age groups, and health conditions", tem como objetivo projetar a carga de sofrimento grave relacionado com saúde que requer cuidados paliativos, a nível global até 2060, por regiões do mundo, grupos etários e condições de saúde. Concluindo que a carga de sofrimento grave relacionado com saúde irá quase duplicar até 2060, com subidas mais rápidas em países com baixo rendimento, entre idosos e em pessoas com demência.

Para o Duarte Soares, Presidente APCP, "esta é a primeira projeção mundial conhecida sobre a carga de sofrimento que é elegível para prestação de cuidados paliativos e que traça um quadro muito preocupante, quase dramático sobre o futuro dos cuidados de saúde em diversas regiões, onde se inclui Portugal, com um aumento exponencial da carga de doença, da morbimortalidade e das necessidades paliativas das populações".

O presente estudo suporta de forma clara a mensagem da Associação, que exige aos responsáveis executivos uma resposta inequívoca de investimento público, reiteradamente negligenciada nas últimas décadas e particularmente nos orçamentos anuais para a saúde.

Duarte Soares considera "incompreensível, até mesmo intolerável que se prossiga o caminho de menosprezar o sofrimento dos cidadãos, desvalorizando questões tão decisivas como a criação de serviços de cuidados paliativos no SNS, a imoral falta de recursos humanos, a necessidade de integração entre sector público, social, solidário e humanitário, ou o apoio ao cuidador informal, naquele que é o maior desafio clínico e social para o país nas próximas décadas".

A Direção da APCP lamenta que se desperdice novamente uma campanha para as eleições europeias onde nem uma palavra é dedicada ao sofrimento dos cidadãos doentes, às famílias, aos cuidadores formais e informais, aos cuidados paliativos, neste que é um tema verdadeiramente europeu de interesse comum para o futuro de todos nós.


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