“Preferências e Locais de Morte em regiões de Portugal em 2010”

Esta publicação mostra um desfasamento marcado entre preferências e realidade para local de morte segundo dados de inquérito e mortalidade em 2010, com cerca de metade da população a preferir morrer em casa, enquanto menos de um terço das mortes acontece neste local. Mais evidente ainda é o desfasamento em relação ao hospital. Apesar de quase dois terços das mortes acontecerem nestes locais (62%), apenas 8% da população referiu que este fosse o seu local de morte preferido, sendo mesmo apontado como o menos desejado por 29% dos inquiridos. O relatório foi enviado ao Ministério Público, organizações não governamentais e serviços de cuidados paliativos. É tornado público no Dia Mundial dos Cuidados Paliativos.

 

Estes dados tornam-se mais relevantes à luz da importância da escolha do local de morte para a população portuguesa. Um terço dos 1286 inquiridos considerou que esta escolha seria uma prioridade para os cuidados de fim de vida, mais importante do que receber informação ou escolher quem toma decisões sobre os cuidados a prestar. A importância atribuía a morrer no sítio que se quer aumenta com a idade, sendo prioritária para quase metade dos inquiridos com mais de 75 anos (48%).

 

Com apenas 9 a 14 equipas de cuidados paliativos domiciliários, a oferta de serviços em Portugal é ainda insuficiente para ir ao encontro destas preferências e encontra-se muito aquém das recomendações internacionais. Assim, os autores recomendam a criação de uma estratégia nacional integrada de desenvolvimento de serviços de cuidados paliativos, com especial ênfase no investimento de cuidados domiciliários especializados, para que todos os doentes e famílias a necessitar de cuidados paliativos tenham acesso a cuidados da máxima qualidade possível e de acordo com as suas preferências.

 

"É preciso desfazer o mito de que só é possível receber cuidados paliativos no hospital.", diz Bárbara Gomes, autora do estudo. "Este cuidados especializados podem ser prestados nos vários locais onde as pessoas estão e querem estar. Precisamos urgentemente de mais equipas, nomeadamente domiciliárias, de forma a assegurar o respeito pelo direito de morrer com dignidade em casa quando assim desejado."

 

Este relatório foi realizado no âmbito do projecto de investigação DINAMO (DINAMizar a formação avançada e investigação para Otimizar os cuidados paliativos domiciliários em Portugal) do King’s College London em parceria com o CEISUC (Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra), financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, tendo sido lançado no contexto da celebração do Dia Mundial de Cuidados Paliativos (12 de Outubro de 2013). Mais pormenores metodológicos disponíveis no artigo publicado na Acta Médica Portuguesa (para aceder ao artigo clique aqui).

 

O relatório encontra-se disponível online no site do Cicely Saunders Institute (para obter o relatório, por favor aceda a esta página).

 


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