Marcha pelos Cuidados Paliativos

Marcha pelos Cuidados Paliativos

 

Casa de Saúde da Idanha
- Unidade de Cuidados Paliativos ?S.Bento Menni? -

 

Pediram-me que falasse um pouco sobre Cuidados Paliativos neste dia?

 

Antes de mais, agradeço a oportunidade de o fazer? Se o faço, o devo a todas as pessoas doentes e suas famílias que em nós (equipa) e em mim (enquanto psicóloga) confiarem nos últimos tempos da sua vida?

 

Tem sido um grande ensinamento trabalhar nesta área, profissional e pessoalmente. Acreditem, depois de se trabalhar em Cuidados Paliativos, nunca mais se é o mesmo? Não se é o mesmo em relação à vida, em relação a ideia de morte, em relação aos outros, ao Mundo, às pessoas, às doenças, à natureza? enfim, em relação à Vida que a própria vida encerra! Que curioso trocadilho este, não?

 

O que existe para além desta vida? Não sabemos, não sei? não se sabe? O que se sabe - e como se diz muitas vezes no senso comum - ?é o que se leva desta vida?? E o que se leva desta vida, em meu entender, só pode mesmo ser o amor? só podem mesmo ser os momentos que passamos uns com os outros? em verdade, em genuína e profunda união?

 

E nisso, os Cuidados Paliativos ensinam-nos como ninguém?

 

O que é de nós se não temos ninguém com quem existir? O que é do ser humano se não se sente em (e com) verdadeira humanidade?

 

Os Cuidados Paliativos devolvem, claramente, a humanidade às pessoas! A possibilidade de serem pessoas - de novo -, mais do que meros doentes, meros ?casos clínicos?? São pais, mães, filhos, esposos, esposas, sogros, sogras, avôs, avós, tios, tias, sobrinhos, sobrinhas, noras, cunhados, padrinhos, amigos, vizinhos, ex-colegas de trabalho, ex-maridos, ex-mulheres? enfim? pessoas com todo um percurso de vida, que importa continuar e que, nalguns casos, importa ajudar a retomar?

 

Aliviando os sintomas físicos, fazendo face à ?dor total?, devolve-se a totalidade da pessoa a si mesma? Comunicando-se eficazmente com ela, dá-se-lhe a possibilidade e o direito de ter uma palavra a dizer? de opinar acerca do seu futuro? de o desenhar um pouco, como ? de resto ? ela fez ao longo da sua vida? Tudo isto só é possível pelo trabalho em equipa e pelo apoio àqueles que lhe são mais queridos? mesmo quando já não se está cá? pelo menos fisicamente? porque cá, na memória de cada um de nós, aí estão todos aqueles que já passaram nas nossas vidas e que ?quando partem nunca vão sós? deixam um pouco de si? levam sempre um pouco de nós??

 

Obrigada!
Bem Hajam Cecily Saunders e Elisabeth Kübler-Ross

 

 

Sílvia Noné
Psicóloga da Unidade de Cuidados Paliativos
Vogal da Comissão Instaladora da ?Associação de Familiares e Amigos do Doente em Cuidados Paliativos no Agora e no Depois ? Afectos P?ra Vida?


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