Testemunho de Paulo Pascoal

O que me leva a escrever é o de me colocar à vossa disposição para testemunhar a importância dos cuidados paliativos no fim de vida.

A minha mulher faleceu nos cuidados paliativos na Casa de Saúde da Idanha/Belas e vi o quanto ela estava feliz e contente por, finalmente, não estar a sofrer e ser tão bem tratada.

A minha mulher faleceu, com 47 anos de idade, com um gliobastoma, detectado o 1.º sintoma (convulsão) em 11 de Março de 2008, morreu a 19 de Dezembro passado, deixou de andar em Maio e perdeu a fala em Junho. Esteve 2 meses nos Capuchos, 4 meses no IPO, 3 meses na Idanha/Belas.

Posso testemunhar o que são os tratamentos antes de chegar aos paliativos, os escassos que lá chegam, e penso que muita gente prefere a eutanásia por que toma contacto amiúde com esses "tratamentos" a montante dos tratamentos paliativos. Eu se não visse e vivesse o que são cuidados paliativos também queria a eutanásia para mim. Hoje o que me preocupa é se morrerei, salvo acidente ou morte súbita, usufruindo de cuidados paliativos. Não me quero alongar mais, mas saiba que pode contar comigo para defender publicamente os cuidados paliativos e lutar para que a rede se expanda rapidamente, pressionar o Estado a incrementar estes cuidados pelo país todo, que todo o ser humano, antes de discutir a a eutanásia, deverá saber o que são cuidados paliativos, tomar contacto com esses cuidados desde cedo, para saber que a morte pode, e não deve, ser dolorosa. Terei todo o prazer em contar a minha experiência, do lado da família de doentes em cuidados paliativos, posso deslocar-me onde entender que possa ser útil, porque o que tenho visto nos jornais e na TV. a propósito do problema da eutanásia é muito tecnicismo e nada de nada de experiência "na carne" por parte daqueles que utilizaram os cuidados paliativos, e que, como é lógico, quem pode testemunhar são os familiares dos doentes.

São estes que podem falar por eles, porque já partiram ou não estão em condições de fazer valer à opinião pública o quanto é importante este tipo de cuidados. O meu nome é Paulo Pascoal, sou o marido da Nazaré. Desculpe-me o abuso desta intromissão, mas o dever de cidadania impunha-se.

Com os melhores cumprimentos, Paulo Pascoal


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